(fonte da imagem: http://sambaquinarede2.blogspot.com.br/2010/05/blog-post_4449.html)
Olá a todos!
Nesta
postagem vamos debater um assunto que está chamando a atenção de todos,
principalmente nas redes sociais. Sugiro que vocês, no mínimo, leiam com
atenção o texto motivador, pois é uma leitura que nos leva a refletir de forma
profunda sobre o nosso cotidiano.
Com base na leitura
dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de
sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua
portuguesa sobre o tema Os desafios da ação policial nos grandes centros urbanos em
situações de grande tensão, apresentando proposta de intervenção,
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma
coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
As três
primeiras redações deixadas no espaço destinado aos comentários serão corrigidas gratuitamente.
Os
últimos passos de um camelô de DVDs
O disparo do
policial na cabeça de Carlos Augusto Braga foi próximo e certeiro, o camelô
porém conseguiu dar alguns passos antes de cair diante uma multidão de
vendedores ambulantes, entre os que se encontravam a irmã e a mulher dele. Seus
quatro filhos – três próprios e um do casamento anterior da esposa - dependiam
da venda de DVDs piratas na rua para sobreviver.
Na noite
anterior à sua morte, Braga foi dormir fazendo uma promessa à esposa: "Não
vamos mais correr da polícia". O plano do casal de vendedores ambulantes
era parar de vender mercadoria e acabar assim com a pressão que sentiam na rua
desde que na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab começou a se perseguir o
comércio irregular nas ruas com a colaboração de policiais militares na chamada
Operação Delegada, em vigor há mais de quatro anos.
"Eu já
apanhei muito dos policiais, apanhei grávida, fui presa várias vezes com
mercadoria, não dava mais", diz aos prantos Claudine da Silva, a Piauí,
sua mulher. "A gente tinha combinado de sair da rua em dezembro, ele me
deu uma máquina de costurar, ele ia aprender comigo e íamos vender no atacado e
nas lojas. Ele me fez jurar que não ia ficar mais correndo da polícia".
Naquela
quinta-feira, Augusto e a mulher levaram suas sacolas da zona Leste, onde
moravam, até a rua 12 de Outubro na Lapa, zona Oeste de São Paulo, do outro
lado da cidade. Pelo caminho cumprimentaram o Edinaldo, o Magrão, a Dona Ana e
seus filhos, e o Isaías, o grande parceiro de Augusto, em cuja defesa ele saiu
antes de morrer. Não era o trabalho com o qual sonhavam quando saíram do Estado
de Piauí há mais de 10 anos, nem sequer era legalizado, mas tinha funcionado
até hoje. “Quando a gente tem filhos, esquecemos de nós mesmos e tentamos dar o
melhor para eles”, relatava durante o velório a viúva, mãe de quatro filhos
entre cinco e 12 anos. Faltavam apenas uns dias para Augusto começar o curso de
costura que ia tirá-lo das calçadas.
Em pleno
horário de pico, um trio de policiais rendeu Isaías, um garoto que chegou ao
velório do amigo com as pernas ainda tremendo. Segundo os colegas, ele tinha
sido perseguido e perdido tantas vezes sua mercadoria que desta vez se
revoltou. Os policias o renderam. Mas uma multidão de camelôs, que se protegem
e se comportam como família, os cercou. O que gritaram para a polícia não era
novo: “Solta ele, solta ele! “Somos todos trabalhadores!”. É o que reivindicam
há anos toda vez que são abordados por policiais que os desrespeitam, afirmam.
“Há anos somos tratados como lixo”, lamentavam os amigos horas antes do corpo
de Augusto ser enterrado no Piauí.
A gritaria
ameaçava terminar em confusão assim que Claudine tentou tirar Braga da primeira
linha várias vezes. Chegaram a se agachar enquanto o colega Isaías permanecia
no chão com uma bota preta no pescoço. Mas Braga, que três dias antes havia
feito 30 anos, levantou. Com um movimento rápido tentou pegar o spray de
pimenta que segurava o policial que o matou, mas o dedo do oficial já estava no
gatilho. "Eu ouvi o disparo ainda de cócoras, não podia acreditar que
fosse ele", lembra Claudine. Ela percorreu esses últimos passos largos de
Augusto e tentou reanimá-lo quando já estava no chão. "Ele estava
engasgado, tentei virar ele, mas não consegui. Não deu, ele só me olhou e
foi".
Durante a
despedida, em um velório muito simples de Guarulhos, a viúva deu mostra de que
dificilmente vai poder cumprir sua promessa de sair das ruas. Mas fez questão
de lembrar que “seu amor” estava deixando de cumprir outra: não voltar para o
Piauí.
(fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/20/politica/1411175724_941556.html)