(fonte da imagem: http://www.ufjf.br/secom/2012/02/28/incentivo-a-formacao-de-docentes-e-tema-de-palestra/)
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Professores da rede pública de SP aprendem a identificar distúrbios
psicológicos
Agência Brasil
Camila Boehm
Professores da
rede pública estadual aprendem a detectar sinais de distúrbios psicológicos nos
alunos, como depressão, déficit de atenção, transtorno bipolar, por meio de um
curso promovido pela Secretaria da Educação de São Paulo, em parceria com a
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O projeto Cuca Legal já chegou nas
escolas da capital, Ribeirão Preto, Santos, Sorocaba e Taboão da Serra.
A proposta da
secretaria é expandir a capacitação para todo o estado. Neste ano, 318
professores concluíram o curso, que é ministrado por psiquiatras, neurologistas
e pedagogos. Em 2013, já haviam 90 capacitados.
O objetivo é
que os profissionais saibam como abordar os estudantes, ofereçam ajuda e
indiquem o tratamento na rede de saúde. O curso é destinado ao professor como
mediador, um educador que já atua na identificação de vulnerabilidades no
ambiente escolar e ainda desenvolve ações de prevenção e mediação de conflitos,
como bullying e indisciplina.
Segundo o
coordenador do Sistema de Proteção Escolar da secretaria, Felippe Angeli, a
ideia é trabalhar a saúde a partir de uma visão integral, incluindo orientação
física e psíquica, e também retirar o estigma, muitas vezes, associado a
distúrbios psicológicos. “Estamos formando estes professores para que conheçam um
pouco melhor a saúde mental e, caso identifiquem algum sinal que possa
ocasionar um problema, eles serão encaminhados para o serviço de saúde
competente”, disse.
Em uma das
etapas, por exemplo, os professores são estimulados a olhar com cuidado os
alunos extremamente quietos. Os estudantes mais agitados costumam chamar a
atenção facilmente, porém aqueles que falam pouco também podem ter algum
conflito que não conseguem compartilhar.
“O papel do
professor não é, e não pode ser, o de fazer diagnóstico de doença. Mas
contribuímos para que ele atue como ponte para o bem-estar do jovem",
completa Angeli. O projeto está associado a uma pesquisa acadêmica, na Unifesp,
que investiga as melhores formas de trabalhar a questão com profissionais que
não tem formação na área da saúde.
O idealizador
do projeto Cuca Legal, o psiquiatra Rodrigo Bressan, afirmou que entre 14% e 20
% das crianças têm algum diagnóstico psiquiátrico identificável, que geralmente
tem pequena gravidade, mas já seria o suficiente para atrapalhar o
desenvolvimento do aluno. “Então é fundamental que se identifique os problemas
para que se possa tratar precocemente e prevenir consequências mais graves”,
disse.
Para o
psiquiatra, as consequências incluem queda no rendimento escolar, acompanhado
do sentimento de ser mau aluno; chance de sofrer bullying e ainda problemas de
sociabilidade, em que o jovem fica sem amigos e limitado do ponto de vista
social.
Se
identificada tardiamente, “a doença tem maior chance de tornar-se crônica e
persistir na idade adulta, além de tornar-se refratária [que não responde ao
tratamento] com medicações ou terapia. A intervenção precoce evita o uso de
medicações”, afirma.
“A orientação
e sensibilização dos professores é fundamental”, conta Bressan. O projeto, ao
longo dos dois últimos anos, demonstrou que os profissionais da educação podem
aprender sobre a saúde mental, detectando sintomas e o encaminhamento para o
serviço de saúde competente.
(fonte: http://www.clicfolha.com.br/noticia/41726/professores-da-rede-publica-de-sp-aprendem-a-identificar-disturbios-psicologicos)